domingo, 23 de outubro de 2011

AMÁLIA RODRIGUES, INSUPERÁVEL

Triste Sina Amália Rodrigues Mar de mágoas sem marés Onde não há sinal de qualquer porto. De lés a lés o céu é cor de cinza E o mundo desconforto No quadrante deste mar, que vai rasgando, No horizonte, sempre venta à minha frente, Há um sonho agonizando Lentamente, tristemente... Mãos e braços, para quê? E para quê, os meus cinco sentidos? Se a gente não se abraça e não se vê, Ambos perdidos. Nau da vida que me leva Naufragando em mar de treva, Com meus sonhos de menina. Triste sina! Pelas rochas se quebrou E se perdeu aonde leva este sonho Depois ficou uma franja de espuma A desfazer-se em bruma No meu jeito de sorrir ficou vingada A tristeza, de por ti, não ser mais nada Meu senhor de todo o sempre, Sendo tudo, não és nada!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

FLOR DO MAL


FLOR DO MAL


TÍTULO: FLOR DO MAL ENDEREÇO: Rua: Clarisse índio do Brasil, 32. CIDADE: Rio de janeiro. PERIODICIDADE: Não há como saber, pois só há um único exemplar no CEDAP que não possui data ou informação sobre a periodicidade. Nº DE PÁGINAS: 16. DATAS-LIMITES: 1971. EXEMPLARES: nº 4. REDAÇÃO/RESPONSÁVEL: Luis Carlos Maciel. ILUSTRAÇÃO: As ilustrações deste número são da autoria de Dicinho. COLABORADORES: Neste único exemplar os colaboradores foram: Jorge Mautner, Nando, Ivan Cardoso, Vera Duarte, ROGEL SAMUEL e E. Bono. CARACTERIZAÇÃO: O Jornal possui em sua capa uma caricatura. Há artigos em forma de poemas relacionados aos exagerados consumos industriais, críticas a escritores e compositores que escrevem em linguagens complicadas, entre outros. Há também artigos que criticam o PT e o cristianismo, além de uma entrevista com um monge japonês que peregrinou pelo mundo. DESCRIÇÃO: O jornal começou a circular em 04 de novembro de 1971.Foi um jornal destinado ao público jovem com um contexto “hippie”, no qual fala de música pop e literatura, esoterismo, ecologia, pé na estrada e cultura orienta.Seu título faz referência à obra de Baudelaire “Les Fleurs du Mal”. O periódico possui tendências de esquerda e também preza a liberdade cultural, política, sexual e religiosa. FONTE: além da análise do periódico, alguma informações foram retiradas do site: www.grafolalia.blogger.com.br

DALMA NASCIMENTO SOBRE "O AMANTE DAS AMAZONAS"


DALMA NASCIMENTO SOBRE "O AMANTE DAS AMAZONAS"


Impacto diante de sua narrativa semelhante à do narrador da oralidade, e cinematográfica mesmo, no dizer da Eliana. Visualizam-se, de fato, todas as cenas iniciais, montadas com metáforas poéticas, sem maiores pretensões. Escreveu o quadro de uma época( 1897) com muito vigor e beleza. significativamente com densas impressões.

Nota-se, desde aí, a intensa pesquisa em todos os níveis: detalhes topográficos, sociais, culturais, além de fortes traços dolorosamente psicológicos. E tudo isso, embolado/embalado criativamente ,emergindo , sintético, no palco mental do narrador memorialista.Tocantes os flashes da situação e do ambiente. Pincelou a utopia do Eldorado, o dado "lendário, mítico'" do seringal, atraindo e destruindo "gentes".. Excelente a descrição (p.13 ) do narrador, lembrando-se e vendo-se menino diante do possível olhar dos irmãos:" Eu magro, olhar esmagado sob uns cachos de cabelos castanhso que tinha, abandonado, surgido como aparição...." e a sua solidão existencial com Genaro e Antônio, ambos bichificados, modificados naquela odisseia perambulante do viver na selva. Todos expropriados.pelo poder tirãnico do capital.

Com diferente dicção, é certo, já que a especificidade de seu discurso é bem outra, recorda, em parte, a escrita de Graciliano e também de Guimarães Rosa. Você traduziu, naquela atmosfera, desconhecida, sagrada com "densa leveza" a dureza do seringal. Creio ser este o qualificativo mais apropriado para falar do "clima' da sua construção meio mágica, meio real, histórica, ao mesmo tempo, culta e popular: " Densa Leveza". . Ainda não sei bem definir seu livro. Porém, no calor das coisas, bem iniciais, quero dizer que estou gostando. Isso já basta, não? Respondo-lhe, assim, a sua mensagem abaixo: " Espero que goste".

Eis então as impressões iniciais nestas frases meio soltas. Não estou fazendo análise, mas relatando o que as primeiríssimas páginas me suscitaram diante da singeleza sofisticada do texto ( já bem o disse Eliana). Gostei também de sua linguagem coloquial com aqueles " quês", que sintaticamente são "porques" ( conjunção causal ) que a toda hora você, corretamente, usa. E os ganchos da oralidade do narrador " inculto'., para engatar a história são também muito adequados.